domingo, 24 de julho de 2016

Em Meio


Era meio da tarde, casa cheia, crianças correndo de um lado para o outro.

As mulheres conversavam despreocupadamente enquanto os homens  fumavam e bebericavam suas bebidas  preferidas. Por fora tudo era pudor e vigilância.
Dentre as mulheres uma a mais falante  as vezes parava e deixava escapar um riso de canto
de boca que era acompanhado de um brilho no olhar. As demais percebiam, mas  caladas, é certo que a vida dariam dariam não para saber porque assim agia, mas para sentirem-se da mesma forma.
Apesar de falante, era a menos vistosa, vestia-se com simplicidade, mas sabia viver e fazer  de cada momento um universo de sensações.
Na verdade  nessa tarde em especial, enquanto com as demais falava de cabelos, cremes e receitas,
no intimo rememorava a amor que escondia, o fogo que entre as pernas ardia. Sorria pois satisfeita
exatamente como as outras se parecia. Porém em pecado a alma já no inverno ardia.
Sorria porque o ser humano tem esse poder de diferenciar entre o Ser e o Ter.
Ela?
Satisfeita Era a que sabia Ser o que da vida satisfação
Tinha...
Era única
Em Meio as
Outras que na boca
 O sabor dele tinha.
CatiahoAlc.
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